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O Impacto do Lifelong Learning na Captação e Permanência de Alunos do Ensino Superior

O Impacto do Lifelong Learning na Captação e Permanência de Alunos do Ensino Superior

Publicado em 17 junho 2019 e escrito por

Não é novidade para você, leitor, que a procura pelo Ensino Superior Privado, principalmente na modalidade Presencial vem diminuindo, ano a ano, desde 2014.

Naquele ano, haviam 4.68 milhões de alunos matriculados em cursos presenciais privados e o número de ingressantes era de 1.88 mi. Já em 2017, segundo dados último Censo do Ensino Superior, temos um total de 4.65 mi de alunos matriculados e 1.65 milhões de ingressantes no ano.

  1. Matriculas em cursos presenciais
  2. Ingressantes em cursos EAD

Por outro lado, houve um aumento muito grande nas buscas pela modalidade EAD. Em 2014, eram cerca de 1 milhão de alunos matriculados nesta modalidade e em 2017 já haviam 1.6 milhões. E nos ingressantes, este número passou de 680 mil para 1 milhão, somente em 2017.

Isso mostra uma mudança de comportamento em quem busca o Ensino Superior.

Muito se fala sobre a preferência pelo Ensino a Distância pela questão do preço, o que é realmente um fato. De acordo com o balanço divulgado pelo Semesp, a mensalidade média em cursos presenciais no Brasil é R$ 1.231 em instituições privadas. Já a mensalidade média dos cursos EaD é R$ 444.

Mas além disso existe o fator cultural e a geração Millennial, que é o público atual das instituições de ensino superior. Apenas para contextualizar, os millennials são os jovens que nasceram neste milênio, e que já estão em idade de ingressar no ensino superior desde 2018. 

Como eles nasceram numa época na qual tudo é digital, o comportamento deles também segue os princípios digitais.  Eles pensam e agem de forma não linear, estão o tempo todo conectados, são muitas vezes imprevisíveis, pensam de forma exponencial e são multidisciplinares.

Uma pesquisa realizada em maio de 2018, com jovens nascidos entre 1995 e 2010, também conhecida como geração Z, conduzida pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mostrou alguns dados interessantes na relação destes jovens com o Youtube – 76% dos 1466 entrevistados responderam que utilizam a plataforma para obter novos conhecimentos:

Além disso, 15% dos entrevistados disseram utilizar blogs e outros 30% utilizam sites pessoais para obter novos conhecimentos.

Uma outra pesquisa, chamada Nossa Escola que foi realizada pelo PorVir e Instituto Inspirare, entrevistou 19.884 adolescentes e jovens de 11 a 21 entre 2017 e 2018, mostrou que os alunos dão preferência para aprender por meio de jogos educativos e pesquisa online, em detrimento de livros digitais e aulas em vídeo:

Trouxe estes dados para mostrar que a mudança de comportamento dos jovens que estão ingressando e irão ingressar no Ensino Superior mudou. E um pouco mais preocupante do que isso, é entendermos o perfil deste jovem e entender porque muitos deles não irão ingressar no Ensino Superior.

Existe também uma pesquisa realizada pelo SEMESP (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior), divulgada anualmente no “Mapa do Ensino Superior no Brasil” que mostra que um profissional com Ensino Superior Completo tem uma média salarial quase três vezes maior que um profissional com Ensino Médio Completo (a diferença é de 1.944,29 para 5.704,62).

Mas se o salário aumenta quase três vezes, porque tem jovens que não querem fazer Ensino Superior?

Não é uma pergunta simples, tão pouco com uma resposta única, mas existem alguns pontos que precisam ser explorados para fazer uma reflexão crítica do tema:

  • Investimento
  • Tempo de Retorno
  • Formato
  • Currículo

Investimento

É fato que o país está atravessando uma crise econômica desde o final de 2014 e que isso reflete diretamente na geração de emprego.

E se existe falta de emprego, não existe dinheiro no bolso das pessoas para investir no Ensino Superior.

Até 2014 o FIES era a alternativa para esta situação, mas a realidade mudou por completo. Nesse mesmo ano, foram firmados 733 mil contratos de FIES e em 2018, até o primeiro semestre, haviam sido firmados apenas 46 mil contratos.

A alternativa ao FIES são os financiamentos próprios (que maior parte das IE não conseguem manter) e empresas privadas que financiam alunos, como bancos e fundos de investimento. Mas ainda assim, o financiamento estudantil é um entrave muito forte no ingresso ao ensino superior.

Tempo de Retorno

Outro problema é que, em muitas profissões, o retorno do investimento só se dará depois de formado, e em alguns casos, muito tempo depois.

Com isso, o futuro aluno questiona se este é o melhor caminho para seu crescimento profissional, pois além de dispender de um valor antecipadamente, ainda corre o risco de não ter emprego assim que terminar a sua graduação. Enfim, é um risco que muitos estão repensando se vale a pena correr.

Formato

Agora vamos falar um pouco da atuação das próprias Instituições de Ensino. Ainda existe uma desconexão muito grande entre como um millennial gostar de aprender e como as faculdades e universidades costumam ensinar.

Além disso, muitas vezes os currículos dos cursos não estão alinhados com as necessidades de mercado, e quando o futuro profissional se forma, ele percebe que não tem as habilidades e competências necessárias para se colocar neste mercado e se vê em busca de cursos rápidos que ensinam estas competências “hands-on”.

E como isso afeta a permanência deste aluno no ensino superior?

Os índices de evasão no ensino superior privado também merecem atenção. Os índices de evasão não mudaram tanto quanto a quantidade de ingressantes nos últimos 5 anos, mantendo-se estável, na casa de 28% no ensino presencial e 35% no EAD.

Sem dúvida os fatores Investimento, tempo de Retorno, formato e currículo também impactam na evasão, mas existem outros motivos que levam o aluno a fazer este movimento de desistência ou paralisação.

Na CRM Educacional, temos mais de 40 motivos mapeados, divididos em 4 dimensões: acadêmica, financeira, geográfica e comportamental.

Conhecer os motivos e principalmente, ter soluções definidas para cada tipo de evasão pode ajudar muito a mostrar aos alunos que sim, o ensino superior é o caminho certo para sua evolução profissional e de vida.

Diante de todos estes cenários, os alunos estão questionando cada vez mais se o ensino superior é o melhor caminho. Como alternativa, eles têm buscado cursos de curta duração, muitas vezes online, que entregam habilidades e competências direcionadas para o mercado, mas também que os ajudam a se empregar mais rapidamente.

O que cabe às instituições é entender este novo comportamento dos alunos e entregar alternativas e soluções que possam se conectar com a necessidade de evolução, velocidade, formato e conexão com o mercado. Somente assim os futuros alunos voltarão a enxergar no ensino superior uma alternativa para crescimento e realização profissional e de carreira.

Sobre o autor:

Daniel Antonucci Mestre em Educação e possui MBA em Marketing e em Gestão Acadêmica e Universitária. Apaixonado por Gestão, Tecnologia e Relacionamentos e com experiência de mais de 15 anos no Ensino Superior Brasileiro é CEO e co-fundador do CRM Educacional, empresa especializada em CRM para Instituições de Ensino. É também sócio e conselheiro da 5Seleto – Agência de Marketing Digital especializada em Educação, conselheiro da Bearings Vocacional, empresa especializada em orientações de carreiras e também atua como Docente em cursos de MBA e em oficinas e cursos do SADEBR – Seminário de Ações Digitais na Educação Brasileira.

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