Conteúdo atualizado em Agosto de 2025.
Você já parou para pensar no custo silencioso de uma carteira de aula vazia? Pode parecer algo simples como uma mensalidade menos, mas o que isso esconde no fundo é um projeto de vida interrompido e um impacto direto na saúde financeira da sua instituição de ensino. O nome desse problema é evasão escolar e ele é um dos maiores desafios da gestão educacional no Brasil, um problema complexo que tira o sono de muitos diretores e mantenedores.
Neste artigo, vamos responder às principais dúvidas sobre o tema. Vamos entender o cenário atual da evasão, com dados atualizados do IBGE e do Censo Escolar, e, o mais importante, traçar um plano prático para que a sua instituição de ensino não entre na estatística de evasão escolar.
Qual a diferença entre evasão e abandono escolar?
Muitos gestores usam os termos como sinônimos, mas há uma diferença técnica importante que afeta como medimos o problema. Vamos esclarecer de forma bem simples:
- Abandono escolar: Ocorre quando o aluno deixa de frequentar as aulas durante o ano ou semestre letivo. Ele simplesmente para no meio do caminho, muitas vezes sem uma formalização.
- Evasão escolar: Acontece quando o aluno conclui um período letivo, mas não renova sua matrícula para o período seguinte. Logo, ele não retorna à instituição.
- Trancamento: É uma interrupção temporária e formal dos estudos. Aqui, o aluno sinaliza a intenção de voltar, e a instituição reserva sua vaga.
Entender essa diferença é o primeiro passo para um diagnóstico preciso. Enquanto o abandono pode estar ligado a problemas imediatos e o trancamento a uma pausa planejada, a evasão escolar reflete uma decisão mais consolidada do aluno e é aí que precisamos agir.
O que o IBGE diz sobre o índice de evasão escolar no Brasil?
Os números são um verdadeiro sinal de alerta, segundo os dados mais recentes da PNAD Contínua 2024, divulgados pelo IBGE, o Brasil ainda tem 8,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos fora da escola.
O abandono tem momentos críticos, e a transição para o ensino médio é um deles: a taxa de evasão salta de 6,8% aos 14 anos para 12,6% aos 15 anos, quase o dobro. O pico acontece aos 18 anos, com 20,7% de evasão.
Já no ensino superior, o cenário também é desafiador, de acordo com dados do Instituto Semesp, divulgados pelo Correio Braziliense, a taxa geral de evasão de 55,5%. Ou seja, é como se, de cada 10 alunos que ingressam, mais da metade não chegasse ao diploma.
E por incrível que pareça, o impacto financeiro disso é gigantesco. Um levantamento da Fundação Roberto Marinho, divulgado pela Exame, revela que o Brasil perde cerca de R$ 200 bilhões por ano com a não conclusão da Educação Básica. É uma receita que não chega às instituições e um potencial que o país deixa de desenvolver.
Quais são as principais causas da evasão escolar?
Se antes a falta de interesse liderava as pesquisas, o cenário pós-pandemia mudou o cenário. A necessidade de trabalhar se tornou uma das principais razão para o abandono, especialmente entre os homens.
– Necessidade de trabalhar (42%): A pressão econômica força muitos jovens a escolherem entre o estudo e o sustento da família. Esse motivo é citado por 53,6% dos homens que evadem.
– Falta de interesse (25,1%): A desconexão entre o conteúdo acadêmico e as perspectivas de futuro ainda é um fator muito relevante.
– Gravidez (23,4% das mulheres): Um desafio especificamente feminino, mostrando como as responsabilidades reprodutivas ainda são um grande obstáculo para a permanência das jovens na escola.
– Afazeres domésticos e problemas de saúde: Completam a lista, mostrando a complexidade de fatores que influenciam essa decisão.
E quanto à evasão no ensino a distância?
Quando falamos em ensino a distância (EAD), o desafio de manter os alunos engajados se torna ainda mais evidente, e os números recentes pintam um quadro que merece a atenção de todo gestor. Dados específicos por curso, por exemplo, revelam a dimensão do problema na rede privada.
Nos cursos de Administração EAD, impressionantes 70,7% dos alunos que ingressam acabam desistindo antes de obter o diploma. Em Pedagogia, um curso de alta procura, a taxa de desistência acumulada também é elevada, chegando a 54,2%.
Esses números mostram que, para além da flexibilidade, o ambiente EAD exige um suporte institucional robusto e uma comunicação proativa para combater a falta de pertencimento e as dificuldades de adaptação, que são alguns dos principais motivos que levam ao abandono do curso.
Para uma visão mais detalhada das taxas de desistência em outras áreas de grande demanda, como Engenharias e Tecnólogos, confira o quadro a seguir do Instituto Semesp:
Evasão escolar no Brasil – Ensino básico
De acordo com a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), cerca de 244 mil crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos estavam fora da escola no segundo trimestre de 2021. Então esse número representa um aumento de 171% em comparação a 2019, ao qual 90 mil crianças não estavam frequentando a escola.
Além disso, a pesquisa também mostra que enquanto em 2019, 99% das crianças e adolescentes estavam matriculadas no ensino fundamental ou médio, em 2021, esse número reduziu para 96,2%. Queda essa já demonstra um dos efeitos da pandemia sob a educação básica no Brasil.
Mas já em um outro estudo, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os índices mostram que com a pandemia da Covid-19, o país passou a ter o mesmo nível de evasão escolar de 14 anos atrás. Tendo assim as crianças de 5 a 9 anos como o público mais afetado por esse desafio.
Essa pesquisa então revelou que no primeiro trimestre de 2020, o índice de evasão escolar estava em 1,39%, entre as crianças de 5 a 9 anos. Porém logo após o primeiro ano de pandemia, esse índice subiu para 4,87%. Mas, o índice de evasão para os alunos de 10 a 14 anos não sofreu muitas alterações. Confira na tabela abaixo:
Evasão escolar no ensino médio
De acordo com a PNAD Contínua, adolescentes de 15 a 17 que evadiram da escola e não concluíram o ensino, em 2019 já somavam cerca de 680 mil, o que representava 7,1% dos jovens com essa faixa etária.
Esse dado é muito preocupante, pois é após a conclusão do ensino médio que os jovens podem ingressar no mercado de trabalho e/ou ingressarem em um curso superior para seguir carreira em uma profissão. Dessa forma, a conclusão dessa etapa é de extrema importância e possui grande peso no poder decisório do futuro do aluno.
Evasão de alunos no Ensino superior
A 15ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, que analisou a trajetória dos estudantes de 2019 a 2023, revelou um dado alarmante: na rede privada, a taxa de desistência total chega a 61,3%. Isso significa que mais da metade dos alunos que ingressam não concluem o curso. Na modalidade EAD, o indicador é ainda mais crítico, alcançando 64,1%.
Esse elevado percentual, possivelmente influenciado pela instabilidade econômica do período, acende um alerta para os gestores. Para se ter uma ideia do cenário mais recente, apenas em 2023, a taxa de evasão anual na rede privada foi de 28,2% nos cursos presenciais e saltou para 40,3% na modalidade EAD, segundo dados do Semesp. Esses números não são apenas estatísticas, eles representam um impacto direto na saúde financeira e no planejamento pedagógico da sua instituição. Veja a tabela abaixo para entender melhor:
Evasão escolar na Pandemia
A covid-19 gerou grande interrupção nas aulas presenciais, alterando o modelo de ensino presencial para o ensino remoto. Com essa alteração, muitos alunos tiveram dificuldades de adaptação, o que acabou aumentando ainda mais o índice de abandono escolar no Brasil.
Mas é importante reforçar que a pandemia não se resume apenas a isolamento social e crise sanitária, ela também trouxe consigo o agravamento da crise econômica, crise política e crise social. E por isso, como consequência disso, muitas pessoas pararam de trabalhar e/ou teve os seus recursos financeiros reduzidos.
Esses problemas financeiros, levaram muitos jovens de escola pública a abandonarem a escola para trabalhar e ajudar financeiramente em casa, enquanto muitos alunos de escolas privadas tiveram a renda familiar reduzida, ocasionando a redução da capacidade das famílias de pagarem um ensino particular para suas crianças e jovens.
Além disso, a falta de inclusão digital, fator que acontece principalmente com alunos de escola pública, também foi um dos principais motivos que intensificaram a evasão escolar no país. Muitos alunos não tiveram acesso aos conteúdos digitais, visto que alguns não possuíam acesso à internet ou dispositivo para acessá-la.
Todos esses desafios que vieram junto a pandemia agravaram ainda mais a evasão escolar no Brasil, tanto no ensino privado, quanto no ensino público. Pois, além dos desafios que muitos alunos já enfrentavam pré-pandemia, foram somados novos desafios no processo de aprendizagem dos alunos.
Como combater a evasão escolar na sua instituição?
Sabemos que não é um assunto fácil de lidar, mas a pergunta que você, caro gestor, deveria fazer agora é: “Como eu trago isso para a minha realidade e começo a agir?”. A resposta está em uma boa abordagem estratégica, humana e baseada em dados.
1. Use dados para identificar alunos em risco
O aluno não decide evadir da noite para o dia, ele dá sinais antes disso acontecer. Por isso, é fundamental monitorar indicadores preditivos de risco, que são:
- Frequência inferior a 75%: Alto risco.
- Queda consistente nas notas: Alto risco.
- Atraso em mais de três mensalidades: Risco crítico.
- Falta de participação familiar em reuniões: Médio risco.
2. Adote metodologias que engajam
Para combater a “falta de interesse”, é preciso ir além do modelo tradicional.
- Protagonismo Estudantil: Dê voz aos alunos. Crie projetos liderados por eles, conselhos participativos e atividades em que eles sejam o centro do processo de aprendizagem.
- Metodologias Dinâmicas: Implemente aprendizagem ativa, gamificação e projetos interdisciplinares que conectem o conhecimento com a realidade prática.
- Flexibilidade Curricular: Ofereça trilhas de aprendizagem e disciplinas eletivas que atendam aos diferentes perfis e interesses dos estudantes.
3. Crie um ambiente de acolhimento e comunicação efetiva
O aluno precisa se sentir parte da instituição.
- Acolhimento Personalizado: Implemente programas de mentoria e acompanhamento individual desde o primeiro dia.
- Comunicação Efetiva: Estabeleça canais diretos e rápidos para feedback e resolução de conflitos, fazendo com que o aluno se sinta ouvido.
Qual o papel da tecnologia na gestão da permanência de alunos?
Gerenciar todos esses dados, identificar padrões e agir de forma preventiva e personalizada para cada aluno parece uma tarefa complicada, certo? E realmente seria, se tentássemos fazer isso com planilhas infinitas.
E por conta dessa complicação é que a CRM Educacional desenvolveu uma tecnologia para Ensino Superior, onde a taxa de evasão escolar é maior. Plataformas de gestão de permanência, como o Guideme PRO da CRM Educacional, utilizam a inteligência de dados para:
- Prever o risco de evasão: O sistema analisa os sinais e cria um “score de risco” para cada aluno, emitindo alertas automáticos.
- Automatizar a comunicação: Cria réguas de relacionamento personalizadas, enviando a mensagem certa na hora certa para o aluno que precisa de atenção.
- Centralizar o atendimento: Integra as equipes acadêmica, financeira e de atendimento, garantindo que todos tenham a mesma visão sobre a jornada do aluno.
Em resumo, com a tecnologia correta, é possível permitir que sua instituição saia de uma postura reativa (tentar recuperar o aluno que já saiu) para uma postura proativa e preditiva, agindo antes que a evasão escolar aconteça.
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A importância de combater a evasão escolar
A Constituição diz que a educação é direito de todos e visa o pleno desenvolvimento do indivíduo, o preparando para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mercado de trabalho.
Com isso entende-se que é função da escola permitir e incentivar o aluno para que ele se desenvolva plenamente.
Desenvolvendo não apenas o seu conhecimento sobre as matérias obrigatórias da matriz curricular, mas também suas habilidades artísticas, sua curiosidade, a capacidade de se comunicar, as habilidades socioemocionais, a forma de escutar ativamente e também, auxiliá-lo no processo de autoconhecimento, ajudando-o a reconhecer qual é o seu papel na sociedade, no mercado de trabalho e na vida.
Soluções para evasão escolar
Há inúmeras ações que a escola pode adotar para ajudar a resolver as dores dos alunos e familiares, assim, aumentando consideravelmente, o índice de permanência.
Primeiramente, vamos voltar um pouco a fita. Há alguns tópicos acima, falei um pouco sobre os principais motivos que levam os alunos a abandonarem os estudos, e dentre os inúmeros motivos que citei, a pesquisa feita pela FGV nos mostrou que a falta de interesse dos alunos ficou em primeiro lugar, sendo o fator responsável por 40% dos casos de evasão no Brasil.
Então se o principal motivo da evasão escolar é desinteresse dos alunos, como podemos fazer para engajar mais o aluno e garantir que ele permaneça?
Separamos 10 condições que toda instituição de ensino precisa ter para engajar e reter cada vez mais alunos. Então confira:
Acolhimento
Acolher o aluno é fundamental para que ele se sinta à vontade no ambiente escolar. Dessa forma, é preciso que a escola aceite o aluno, demonstre empatia e acredite em seu potencial independente da sua individualidade.
Dar lugar ao protagonismo do aluno
É fundamental dar voz ao aluno para que ele possa se sentir motivado a participar ativamente daquele ambiente.
Dinamismo
É preciso admitir que esse modelo de educação centralizado no professor já não funciona mais para as novas gerações. Mas temos que apostar mais em atividades integradoras, trabalhos em grupo, brincadeiras e atividades dinâmicas, para que a atenção do aluno não se disperse facilmente.
Utilize a tecnologia nos processos educacionais
As novas gerações estão cada vez mais engajadas com o universo das tecnologias. Por isso, é importante utilizá-las a fim de tornar o ambiente escolar um espaço mais atrativo para o aluno.
Flexibilidade
Sabemos então que não são todos os conteúdos que vão ser interessantes na mesma intensidade para todos os alunos. Por isso, é essencial amadurecer a ideia de uma instituição mais flexível, com a possibilidade de disponibilizar conteúdos que atendam os interesses de diferentes perfis de alunos.
Favoreça combinados
A instituição precisa ser um ambiente que promova o diálogo eficiente entre alunos e professores. Além disso, deve favorecer o bom relacionamento entre as duas partes.
Trabalhe a experiência do aluno
A experiência do aluno diz respeito a tudo que ele vivência durante a jornada escolar. Sendo assim, é importante se atentar a relação do aluno com o ambiente estudantil, com a qualidade de ensino que lhe é oferecida e até mesmo a gestão da sua instituição de ensino, que de forma direta ou indireta, são questões que impactam a jornada do aluno.
Tecnologia em sala de aula
Em uma época em que todos estamos conectados o tempo inteiro em nossos dispositivos móveis, não convém ensinar usando somente quadro negro e giz, concorda?
Por isso, o investimento em tecnologia nas salas de aula é tão necessário. E não apenas para as disciplinas que requerem computadores conectados à internet. Mas também tantas outras, cujos conteúdos serão mais bem transmitidos ao contar com esse suporte tecnológico.
Formas de negociação de pagamentos
Esse é outro ponto que as instituições de ensino precisam levar em conta para garantir a permanência de seus alunos. Como dito anteriormente, a dificuldade financeira é um impeditivo comum na vida do universitário que tranca ou mesmo abandona o curso.
Logo, é fundamental que ele tenha a seu dispor formas de negociar esses pagamentos, principalmente se esse for o único empecilho para ele continuar estudando. Parcelamento das mensalidades atrasadas ou desconto na quitação total costumam ser as ofertas mais atrativas de negociação.
Acompanhamento de desempenho
A sua instituição pode posicionar-se como uma verdadeira parceira de seus alunos ao contar com uma estratégia voltada ao acompanhamento do desempenho deles. Isso significa monitorar o rendimento deles ao longo das aulas e oferecer apoio conforme necessário.
Isso significa personalizar ao máximo a sua abordagem. Afinal, cada aluno é diferente e conta com necessidades específicas. Uma forma de fazer isso é contar com um CRM que possibilite registrar essas informações dos alunos. Principalmente para poder realizar a abordagem correta com eles.
Sua instituição pronta para a jornada da permanência?
Combater a evasão escolar é mais do que apenas reter uma matrícula, também é preciso cumprir a nobre missão da educação: transformar vidas e, consequentemente, garantir a sustentabilidade e o crescimento da sua instituição.
E nós da CRM Educacional não vamos te deixar sozinho nesse caminho, que tal conversar com um de nossos especialistas e entender como a tecnologia do Guideme Pro pode construir uma estratégia de permanência efetiva para os seus alunos?