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O Mundo VUCA e o Mercado de Educação

O Mundo VUCA e o Mercado de Educação

Publicado em 09 julho 2019 e escrito por

Recentemente estive estudando sobre open innovation (inovação aberta) e me deparei com um conceito que já tinha lido sobre, mas ainda não tinha me aprofundado, que é o VUCA

Se você ainda não conhece, VUCA é o acrônimo para Volatile, Uncertain, Complex e Ambiguous, que em português são palavras traduzidas para Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade. 

Resolvi me aprofundar e refletir sobre este acrônimo, suas quatro palavras e o impacto delas no mercado educacional.

Mas antes de falar sobre os impactos, vamos entender com mais cuidado o que significa cada um destes termos:

  1. Volatilidade

Volatilidade nesse contexto refere-se à velocidade da mudança em uma indústria, mercado ou no mundo em geral. 

Está associado a flutuações na demanda, turbulência, pouco tempo para os mercados e está bem documentado na literatura sobre o dinamismo da indústria. 

Quanto mais volátil é o mundo, mais e mais rápidas as coisas mudam.

  1. Incerteza

Incerteza refere-se à medida em que podemos prever com confiança o futuro. 

Parte da incerteza é percebida e associada à incapacidade das pessoas de entender o que está acontecendo. 

A incerteza, no entanto, também é uma característica mais objetiva de um ambiente. 

Ambientes verdadeiramente incertos são aqueles que não permitem nenhuma previsão, nem mesmo em base estatística. Quanto mais incerto o mundo e o ambiente, mais difícil de prever algo.

  1. Complexidade

Complexidade refere-se ao número de fatores que precisamos levar em conta, sua variedade e as relações entre eles. 

Quanto mais fatores, maior a variedade e quanto mais interligados, mais complexo é o ambiente. 

Sob alta complexidade, é impossível analisar completamente o ambiente e chegar a conclusões racionais. Quanto mais complexo o mundo é, mais difícil fica analisá-lo.

  1. Ambiguidade

Ambiguidade refere-se à falta de clareza sobre como interpretar algo. Uma situação é ambígua, por exemplo, quando a informação é incompleta, contraditória ou muito imprecisa para tirar conclusões claras. 

Quanto mais ambíguo o mundo é, mais difícil fica interpretá-lo.

Para facilitar o entendimento destes conceitos, recorri a uma imagem que encontrei em um artigo da forbes. Se quiser ver o artigo na íntegra, é só clicar aqui.

Agora que já falamos do conceito VUCA, gostaria de fazer uma análise do impacto VUCA no mercado de educação no Brasil.

Volatilidade

Penso que não é novidade para ninguém o fato da velocidade que as evoluções tecnológicas e de comportamento dos jovens está impactando este mercado. 

Gostaria de chamar atenção para dois dados que comprovam a velocidade destas mudanças. 

O primeiro dado é em relação ao crescimento de alunos ingressantes na modalidade EAD versus presencial. 

Enquanto os cursos EAD vêm apresentando um forte crescimento desde 2011, os presenciais têm apresentando um pequeno crescimento até 2014. De 2015 em diante começaram a regredir. 

É claro que as mudanças no FIES e provenientes da crise econômica também impactaram na desaceleração de novas matrículas no ensino superior, mas será que o preço, normalmente mais baixo no EAD, é o único fator?

O segundo dado é em relação ao comportamento das gerações, principalmente as que estão na faixa ideal do ensino superior, que vai dos 18 aos 24 anos de idade. 

Esta geração digital está muito mais acostumada a fazer tudo pelo celular e claro, isso fortalece o estilo de estudo que tenha forte apoio pela tecnologia. 

Recorri a um estudo de Simon Walker para mostrar a mudança de preferência das gerações por cada canal de comunicação. Veja o gráfico abaixo:

Hoje, com um smartphone nas mãos, qualquer pessoa consegue estudar em praticamente qualquer curso EAD. 

Além disso, esses alunos não precisam necessariamente recorrer a uma faculdade para isso. 

Podem acessar gama de outras alternativas para encontrar um conhecimento específico, inclusive conteúdos gratuitos e de qualidade, como vários canais existentes no youtube. 

É dessa forma que a volatilidade está impactando a educação.

Incerteza

A Inteligência Artificial  e a Robótica, que proporcionam uma automação cada vez maior de processos, além de outras inovações tecnológicas que ainda estão nos laboratórios espalhados pelo mundo, estão e irão impactar cada vez mais a nossa visão e a nossa relação com as carreiras. 

Existem diversos estudos, como este que foi publicado na Revista Exame e conduzido pela PwC, que mostram que diversas profissões que hoje são desempenhadas por serem humanos serão substituídas, senão totalmente em grande parte, por máquinas. 

Algumas simplesmente deixarão de existir, principalmente as que são baseadas em repetição e as que exigem extremo conhecimento específico, pois a máquina será capaz de aprender e reproduzir com maior eficiência que uma pessoa. 

Diante de cenários como este, muitos jovens estão repensando o ensino superior como ele é hoje. O raciocínio é muito claro: porque vou investir de 4 a 5 anos numa faculdade que vai me colocar no mercado de trabalho em uma profissão que nem sei se irá existir?

É claro que existem muitas previsões apocalípticas, mas a incerteza existe e impacta diretamente a visão dos futuros alunos.

Complexidade

Recentemente escrevi um texto sobre lifelong learning e o impacto no mercado de educação superior. 

Em determinado ponto do texto, eu escrevo sobre o comportamento das gerações em relação à educação. 

As gerações anteriores, principalmente os Baby Boomers e a geração X, mas também a Y, seguiram uma trilha comum: um curso de graduação, depois uma pós-graduação, um mestrado, um doutorado e um PHD. 

Um ciclo segmentado, repetitivo e muito mais previsível.

Já a geração dos millenials têm uma relação completamente diferente com o mundo. Eles não pensam de forma linear, são completamente imprevisíveis e não gostam de modelos repetitivos. 

Não estou aqui para julgar se isso é bom ou ruim, mas para dizer que esta complexidade de variáveis e alternativas que o seu futuro aluno tem a disposição torna o mundo muito mais complexo, para eles e para as instituições de ensino.

Ambiguidade

De todos, acho que este foi o conceito que mais tempo levei para refletir em relação ao mercado de educação. 

Mas depois de algum tempo, ficou muito claro que o grande impacto está na falta de profundidade que o excesso de informação está gerando nas pessoas. 

Com tantas informações em tantos aplicativos e plataformas, disponíveis ao mesmo tempo na palma de nossas mãos, e a ansiedade por consumir todas estas informações acaba nos impedindo de nos aprofundar em determinados temas e conhecimentos. 

Desta forma, as novas gerações, condicionadas a este tipo de comportamento, se assustam ao pensar que passarão 4 ou 5 anos estudando um único tema, uma única carreira.

Por fim, posso dizer que este mundo VUCA ainda vai nos proporcionar muitas experiências, muitos aprendizados e muitas, muitas mudanças.

Vamos juntos construir uma nova linha de pensamento e funcionamento para os modelos de ensino, tanto presenciais quanto à distância?

 

Sobre o autor:

Daniel Antonucci Mestre em Educação e possui MBA em Marketing e em Gestão Acadêmica e Universitária. Apaixonado por Gestão, Tecnologia e Relacionamentos e com experiência de mais de 15 anos no Ensino Superior Brasileiro é CEO e co-fundador do CRM Educacional, empresa especializada em CRM para Instituições de Ensino. É também sócio e conselheiro da 5Seleto – Agência de Marketing Digital especializada em Educação, conselheiro da Bearings Vocacional, empresa especializada em orientações de carreiras e também atua como Docente em cursos de MBA e em oficinas e cursos do SADEBR – Seminário de Ações Digitais na Educação Brasileira.

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