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A importância do ENEM no cenário educacional do Brasil

Publicado em 02 abril 2020 e escrito por

Falar sobre a importância do ENEM — o Exame Nacional do Ensino Médio — e considerar o seu papel no cenário educacional brasileiro requer uma viagem pelo tempo desde a sua criação até os dias atuaisA evolução do ENEM nos últimos anos impactou um grande volume de estudantes e serviu de porta de entrada para uma educação superior de qualidade para cada um deles. 

ENEM surgiu em 1998 como uma ferramenta para avaliar a qualidade do Ensino Médio no Brasil. Uma melhor colocação dos alunos significaria que tiveram um ensino de melhor qualidade durante essa etapa, contribuindo para um posicionamento melhor de suas escolas pelo Ministério da Educação. 

No entanto, com a evolução deste instrumento de avaliação, o ENEM passou a ter outra função bastante importante: para o aluno, o resultado da prova serve como acesso ao Ensino Superior em universidades públicas e privadas brasileiras, possibilitando diminuir uma barreira no acesso a educação superior de acordo com a nota alcançada. 

Como era o ingresso nas faculdades antes do ENEM? 

O que leva esses jovens e adolescentes a estudar enlouquecidamente durante um, dois ou até três anos para esta prova? 

Em 2010, o cenário era o seguinte: para conseguir uma vaga em uma universidade pública (que, no Brasil, é gratuita), o candidato a essas vagas precisava mapear todas as universidades que ofereciam o curso que ele desejava, fazer a inscrição, se deslocar (muitas vezes para outras cidades) para fazer a prova de vestibular e esperar o resultado de todas elas. Muitas vezes, a data do vestibular de uma faculdade coincidia com outra, e ele precisava escolher apenas uma. 

Além disso, como as provas eram feitas por cada uma das universidades, o estudante ainda tinha que se preocupar com a matéria de cada uma e se preparar para todas. Quem passou por essa fase com certeza se lembra da importância da Fuvest, que era uma espécie de vestibular unificado de algumas universidades públicas de São Paulo. 

Por fim, se você não conseguisse uma vaga em uma faculdade pública, então você precisava fazer o vestibular de uma privada ou esperar o próximo ano. 

Hoje, a grande maioria das universidades (públicas e privadas) aceitam a nota do ENEM como forma de ingresso. Aqui cabe uma nota: tenho muito orgulho da CRM Educacional ter contribuído para este movimento no mercado privado. 

Desde 2014 nós temos a aprovação automática pela nota do ENEM em nosso software e incentivamos centenas de faculdades a aderirem a nota do ENEM como forma de ingresso no ensino superior, sem a necessidade de o aluno fazer outra prova na faculdade. Se você quiser saber como isso funciona, clique aqui. 

E se a sua faculdade ou universidade ainda não aceita o ENEM como uma das formas de ingresso, sugiro repensar essa estratégia rapidamente. Conheço diversas instituições privadas em que a matrícula como forma de ingresso pelo ENEM já representa em torno de 40% dos alunos. 

Voltando para o nosso tema, com o passar do tempo, o ENEM foi tomando uma proporção cada vez maior e a cada ano mais universidades públicas passaram a aceitá-lo como forma de ingresso, até que em 2014/2015 o Ministério da Educação lançou o SISU. 

O que são o SISU e o PROUNI? 

O ENEM serve como ferramenta de ingresso à universidade graças a dois programas que ajudam a democratizar esse processo: o SISU e o PROUNI. Você já ouviu falar neles e sabe como eles funcionam? 

O SISU, Sistema de Seleção Unificada, é a plataforma em que as pessoas que fizeram a prova do ENEM podem tentar uma vaga em diversas universidades públicas por todo o Brasil. Por meio do ENEM, o candidato consegue se inscrever no SISU, digitar o resultado de suas notas e buscar uma universidade que tenha o curso desejado e a nota de corte menor que a sua. Isso facilitou muito a vida desses candidatos, que não precisam mais fazer diversas inscrições e provas para conseguir ingressar no ensino superior público. 

E se esse candidato não consegue uma vaga na universidade pública (já que não existem vagas para todos), é por meio de sua nota do ENEM que ele pode tentar por uma vaga pelo PROUNI — Programa Universidade para Todos. 

O PROUNI é um programa em que o governo “aluga” vagas para alunos carentes em universidades privadas, por meio de renúncia fiscal. Assim, o candidato carente que não conseguiu uma vaga na universidade pública, pode tentar uma bolsa PROUNI, baseado em alguns critérios, em uma instituição de ensino superior privada. 

O PROUNI exige do candidato os seguintes requisitos: 

  • ter feito o ENEM do ano atual; 
  • ter conquistado a pontuação mínima no ENEM requerida pelo MEC; 
  • ter cursado o Ensino Médio em escola pública; 
  • ter cursado o Ensino Médio em escola particular com bolsa integral; 
  • ser uma pessoa portadora de deficiência. 

Se o candidato não se encaixar nos critérios do PROUNI, desde dezembro de 2014 ele também precisa ter uma nota mínima de 450 pontos no ENEM para conseguir um financiamento público, mais conhecido como FIESAntes dessa data, o aluno só precisava comprovar a necessidade financeira do financiamento. 

Para aproveitar as vantagens trazidas pelo SISU e pelo PROUNI, os alunos precisam ficar atentos ao noticiário. Todos os anos, o Ministério da Educação divulga o calendário de inscrições. É preciso ter atenção ao timing dessas inscrições e conciliá-las com a realização da prova do ENEM. 

Mudando um pouco de assunto, você sabia que o ENEM já atravessou o Atlântico? Desde 2016/2017, diversas universidades portuguesas aceitam o exame como forma de ingresso e a cada ano mais universidades desse país têm aderido ao movimento. Isso tudo para facilitar e atrair mais alunos brasileiros! 

Como é feita a correção do ENEM? 

Com o objetivo de gerar notas mais justas e, assim, proporcionar chances democráticas de ingresso às universidades públicas, o Exame Nacional do Ensino Médio tem um método de correção diferente do convencional. Chamado de Teoria de Resposta ao Item (TRI), ele envolve a pontuação de questões com base na variação percentual de acertos e erros que ele obteve entre os alunos que fizeram a prova. 

Ou seja, se uma questão tem muitos acertos, então o valor dela cai porque é considerada muito fácil. O contrário também vale: uma pergunta difícil, com poucos acertos, torna-se mais valiosa. 

Por conta disso, não é possível contabilizar a própria nota apenas baseando-se nas questões corrigidas e no gabarito da prova. A nota final do ENEM somente é sabida quando ocorre a divulgação oficial pelo Ministério da Educação. 

E a redação? 

Etapa temida por muitos alunos, a redação é um desafio à parte quando se trata do Exame Nacional do Ensino Médio. E, além disso, essa etapa também tem um método de correção diferente que busca avaliar vários critérios que compõem a qualidade de um texto. 

Para começar, a redação é sempre avaliada por dois corretores e um nunca sabe qual a nota definida pelo outro, o que garante uma imparcialidade na avaliação. Essa nota vai de 0 a 1000 e se baseia em cinco critérios que valem 200 pontos cada: 

  • domínio da norma culta da língua portuguesa; 
  • compreensão e desenvolvimento do tema usando várias áreas do conhecimento; 
  • defesa de um ponto de vista; 
  • argumentos e proposta de intervenção para o problema; 
  • respeitar os direitos humanos. 

O que aprender com isso? 

Houve um deslocamento importante do momento de captação de alunos no ensino superior privado. Antigamente, o momento principal da captação se dava entre outubro e dezembro, pois os candidatos já tinham feito as provas das universidades públicas que pretendiam fazer. Dessa forma, já sabiam o resultado e, aqueles que não obtivessem êxito, faziam a prova de uma faculdade privada e, se aprovados, a matrícula. 

Contudo, como o ENEM acontece sempre no início do mês de novembro e o resultado só é liberado em janeiro do ano seguinte, o SISU só abre as inscrições na segunda quinzena de janeiro. Logo, todos os candidatos que antes faziam sua matrícula na faculdade, tanto pública quanto privada, no final do ano anterior, agora só o fazem após o fechamento do SISU, deslocando grande parte das matrículas do ensino privado para o final de janeiro, fevereiro e até março. 

Fazendo um resumo, veja a trajetória e o impacto da prova do ENEM no cenário do ensino superior brasileiro: 

  1. No início, era apenas uma prova de avaliação do Ensino Médio;
  2. Passou a ser uma forma de ingresso para diversas universidades públicas;
  3. Transformou-se em uma forma de ingresso para o PROUNI;
  4. Começou a valer como nota de corte para o FIES;
  5. Causou o deslocamento do principal momento de matrícula do ensino superior privado. 

Como percebemos, a importância do ENEM se traduz ao analisar a sua história e as contribuições que trouxe à educação do Brasil. Trata-se de um mecanismo fundamental para o acesso à universidade para uma legião de estudantes, sendo assim, uma peça essencial para a educação do país. 

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Sobre o autor:

Augusto Guimaraes Consultor especialista em tecnologia para gestão de relacionamentos na educação e faz parte da equipe de negócios na CRM Educacional. Tem o compromisso de transformar inscrições em matriculas e matrículas em diplomas. Formado em Gestão de Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi, possui 10 anos de experiência em CRM, sendo os últimos 6 anos dedicados em ajudar as instituições de ensino do Brasil com Captação, Retenção e Fidelização de alunos.

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